Uma agenda
Já cansada olha para a agenda que traz sempre consigo e onde anota todas as tarefas do dia, ainda tem tanto para fazer.
As olheiras escuras não deixam margem para duvidas...as noites têm sido difíceis.
O corpo robusto, dobrado pelo cansaço denuncia a vontade de parar...mas desistir é palavra que não conhece e as mãos teimosas não param e de folha em folha vão corrigindo erros e gralhas dando forma ao texto necessário para o discurso.
As horas passaram lentamente e no final do dia, de cabeça erguida, olhos claros, cabelos longos bem tratados e passo apressado sai. Aguarda algo. A ansiedade está patente na forma como vai alternando o peso do corpo numa e noutra perna, na forma desajeitada e repetitiva com que arranja o casaco, no olhar que lança sempre que se aproxima um caro vermelho.
De repente sorri. Ergue a mão de dedos finos e acena como que a chamar alguém. E num abrir e fechar de olhos tudo muda e a agenda é esquecida....

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